Laboratório analisa qualidade de materiais utilizados na duplicação da BR-101
13/04/2007
O desabamento do edifício Palace 2, no Rio de Janeiro, em 1998, que resultou na morte de oito pessoas, revoltou a população pelos motivos apontados pelos peritos como a causa da tragédia: a negligência e o uso de materiais de baixa qualidade na construção.
A análise desses materiais e a verificação se eles se encontram de acordo com o que é especificado, ou normatizado por órgãos nacionais e internacionais, são realizadas em Tubarão, no Laboratório de Materiais e Solos da Unisul, a pedido de empresas da região. Lá são desenvolvidos ensaios de qualificação de aço, cerâmica vermelha (bloco cerâmico, telhas), agregados para concreto e argamassa, além de coleta e moldagem de corpos de prova de concreto.
Uma das obras que vem sendo acompanhada pelo laboratório é a duplicação da BR-101. Os materiais utilizados na construção do trecho de Itapirubá até a divisa com Sangão, são analisados na Unisul.
Na opinião da engenheira civil e uma das responsáveis pelo laboratório, professora Lucimara Aparecida Schambeck Andrade, o trabalho, por ser realizado por acadêmicos sob a supervisão de professores, beneficia tanto a universidade quanto à comunidade externa.
– Essas análises são fundamentais para que não haja problemas nas obras, e também são importantes para os alunos, que além de ganhar experiência nessa área, fazem contatos com várias empresas, o que pode facilitar o ingresso no mercado de trabalho – afirma.
Seis estagiários trabalham no laboratório, porém mais de 150 acadêmicos, dos cursos de Engenharia Civil, Arquitetura, Agronomia, além de tecnólogos do Senai, tem aulas práticas ou desenvolvem projetos de pesquisa no local a cada semestre.
A acadêmica do 7º semestre de Engenharia Civil, Daiana da Silva, é uma das estagiárias. Há mais de um ano ela trabalha com a análise de materiais e de solos no laboratório.
– Sempre surgem novos materiais, novas tecnologias. E as empresas procuram profissionais que já tenham experiências com elas – comenta a estudante, que após formada pretende fazer uma especialização na área.
O laboratório foi criado em 1993 e atualmente desenvolve três projetos aprovados pela Fundação de Apoio à Pesquisa Científica e Tecnológica do Estado de Santa Catarina (Fapesc), além de outros dois que aguardam aprovação. Entre eles, a análise da utilização da cinza pesada do complexo Jorge Lacerda na confecção de blocos de solo e a reciclagem de resíduos da construção civil.
(Rafael Matos)
Fonte: Rádio Criciuma