Banco do Brasil adere ao crédito imobiliário
09/04/2007 11:45:32 - Jornal A Gazeta
O Banco do Brasil resolveu apostar no disputado mercado de crédito imobiliário. A longo prazo, quem deve sair ganhando é o consumidor, pois a concorrência cada vez maior pode provocar redução nas taxas de juros e melhorias até nas condições de pagamento.
Neste ano, a participação do banco deve ser modesta, o investimento inicial no Estado vai ser de R$ 30 milhões, o equivalente a 500 contratos com financiamento médio de R$ 60 mil.
Em todo o país, a soma deve chegar a R$ 350 milhões, representando um volume de 10 mil contratos com valores médios de R$ 65 mil.
As linhas começaram a ser oferecidas em fevereiro no Distrito Federal, como projeto piloto, e chegam a todos os Estados agora, no início de abril. Além da compra de imóveis novos, também há espaço para financiamento de imóveis usados e até construção de casas.
Para clientes. Inicialmente, o financiamento só está disponível para correntistas do banco. As taxas de juros variam de 10,49% a 12,00% ao ano, mais a variação da TR, de acordo com o valor a ser financiado.
As linhas de crédito do banco vão financiar entre 70% e 80% do valor dos imóveis, que pode chegar a até R$ 450 mil. O prazo de pagamento é de, no máximo, 15 anos, sendo que o índice máximo de comprometimento da renda é de 25%.
O financiamento é baseado no Sistema de Amortização Constante (Sac). "Em um cenário de economia estável, a parcela mensal, referente à amortização do empréstimo, é constante em termos reais, enquanto a parcela mensal referente aos juros, calculados sobre o saldo devedor, é decrescente. Assim, o valor total da prestação mensal (amortização mais juros) diminui com o passar dos anos", explica o superintendente de varejo do banco no Estado, Tércio Pascoal.
Tanto a prestação quanto o saldo devedor do financiamento são atualizados pela Taxa de Referência (TR), aplicada à poupança.
Casa nova. O advogado Fábio Jorge Delatorre Leite, de 27 anos, optou por um financiamento pós-fixado de acordo com a TR para comprar seu primeiro imóvel, um usado. Antes do financiamento, ele preferiu pagar cerca de 30% do valor do imóvel ao antigo proprietário. "Economizei para dar a entrada e assim tentar amenizar o impacto do financiamento no orçamento", disse. Para conseguir a carta de crédito no valor de R$ 55 mil, ele e a noiva somaram os contracheques. "Dessa forma, cada um tem a renda comprometida em, no máximo, 25%, e pudemos começar os preparativos para o casamento, que acontece no final do ano".
Competição com a Caixa promete ser acirrada
Apesar da grande concorrência, o Banco do Brasil pretende chegar a 2008 em terceiro lugar no ranking do mercado de crédito imobiliário, hoje liderado, com folga, pela Caixa Econômica Federal. A estratégia para alcançar esse nível é garantir a agilidade no processo de contratação do financiamento e oferecer taxas mais competitivas.
O acordo operacional do Banco do Brasil com a Poupex prevê a condução dos negócios por uma retaguarda operacional específica, o que trará agilidade na análise e na contratação dos financiamentos. Segundo o superintendente de varejo do banco no Estado, Tércio Pascoal, o prazo de atendimento é de, no máximo, 20 dias.
Financiamento também para a indústria da construção
A partir do segundo semestre deste ano, o Banco do Brasil também vai passar a atender diretamente à indústria da construção civil, abrindo linhas de crédito para financiar novos empreendimentos.
"Por enquanto, não há diretrizes definidas sobre o financiamento para a indústria, mas com certeza isso impulsionará ainda mais o crescimento do mercado imobiliário local", aposta Tércio Pascoal, superintendente de Varejo do Banco do Brasil no Espírito Santo.
Pessoas jurídicas também vão poder utilizar o crédito para adquirir imóveis, segundo Pascoal.
Todo o dinheiro para esse investimento será oferecido graças a uma parceria do banco com a Associação de Poupança e Empréstimo (Poupex), um fundo de investimento.
Em 2008, o banco passará a operar com recursos próprios e promete aumentar a oferta. Segundo levantamento feito pelo Banco do Brasil, há uma demanda de mais de 25 milhões de clientes do banco pelo crédito imobiliário.
Números. Os indicadores apontados pela pesquisa são promissores, pois os números recentes apontam um grande filão para os bancos que queiram investir na produção de unidades imobiliárias.
Os financiamentos imobiliários do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) atingiram R$ 9,5 bilhões em 2006, um crescimento de 95,5% em relação a 2005.
Apenas em dezembro, o volume emprestado foi superior a um R$ 1 bilhão – o melhor resultado observado num único mês nos últimos 20 anos.
Fonte: Gazeta On-Line